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O Algodão

Foto: Levia Reheby

O algodão sempre foi - e ainda é - parte essencial da nossa vida.

 

Está presente no plantar, no fiar, no tecer,  mas também nos cuidados, nos saberes e nas práticas do dia a dia. Ao longo das gerações, aprendemos com nossas mães e avós não apenas a transformar o algodão em tecido, mas a reconhecer seu valor como parte da vida no território. O algodão cura, esquenta, acolhe. Por isso, o chamamos de planta-mãe.

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Mais do que um recurso ou uma matéria-prima, o algodão é parte das relações que sustentam nossa vida coletiva.

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O trabalho com o algodão

A fiação e a tecelagem sempre foram ofícios das mulheres em nossas comunidades. Muito antes de nos organizarmos como associação, já existia uma prática coletiva que sustentava esse ofício.

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As mulheres se reuniam principalmente para fiar. Era comum a troca de dias: em um dia, o trabalho era feito para uma; no outro, para outra. Assim, o fio ia sendo produzido em conjunto, ao mesmo tempo em que se fortaleciam os laços comunitários.

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O encontro fazia parte da vida, o trabalho acontecia a partir da convivência e da partilha.

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Com o tempo, diante do enfraquecimento do ofício na região, sentimos a necessidade de nos organizar de outra forma. A criação da associação veio somar a essa prática que já existia, como forma de garantir a continuidade deste ofício que aprendemos com nossas mães e nossas avós. 

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Foto: Paula Comini

O algodão na história do território​

O algodão faz parte da história do Vale do Jequitinhonha há séculos e sempre esteve ligado ao cotidiano das comunidades rurais e quilombolas. Durante muito tempo, foi base da vida: plantado, colhido e transformado em fios e tecidos dentro das próprias casas, vestindo, aquecendo e sustentando o dia a dia das famílias.

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Com o passar dos anos, esse modo de produção foi se enfraquecendo. A introdução de sementes de fora, o uso de venenos, a chegada do bicudo e a migração foram alguns  dos elementos que impactaram diretamente o plantio e o trabalho com o algodão. Aos poucos, o que antes era cultivado no território passou a ser comprado de fora, rompendo uma relação que sempre foi própria da vida local. Mesmo assim, o algodão nunca deixou de existir completamente. Seguiu sendo plantado nos quintais - mesmo que de forma reduzida.  

 

Em parceria com a Associação Tingui, Iniciamos um movimento de retomada e fortalecimento do plantio, buscando ampliar o cultivo da planta em nossos territórios, sem veneno e em diálogo com a agroecologia.

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Hoje, plantamos o algodão em consórcio com outras culturas, fortalecendo a terra, a diversidade e a autonomia das famílias agricultoras. Essa retomada nos permitiu retomar  o ciclo completo do algodão - do plantio ao tecido - e reafirmar nossa relação ancestral com essa planta, que há vem moldando a vida em nosso território

Fotos: Paula Comini, Kika Antunes, Raquel Sousa

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Rua Goiás n° 10

Comunidade Quilombola Tocoiós de Minas

Francisco Badaró | MG

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E-mail: tecelasdetocoios@gmail.com

A AMAARTE é uma associação que reúne artesãs e agricultoras da região. Na seção Quem Somos, disponibilizamos nossos documentos e balancetes contáveis.

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